NELSON BARROS NETO
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 Definitivamente, a torcida baiana está em um ano inspirado. “Digna” dos hits efêmeros que a todo momento surgem por aí, a parada de sucessos do futebol estadual não tem sossegado. A cada rodada, uma novidade.

Depois de “Créu”, “Chupa que é uva”, “Senta que é menta” e até mesmo “Engasga que é de jaca”, cantado quinta-feira passada pelos itabunenses em provocação aos tricolores, uma nova canção de forró terminou sendo emprestada no Barradão. Em vez de “gostosão”, a condição que o Vitória ostenta(ou) em nada que oito dos últimos dez certames domésticos pede passagem: Quem é o campeão daqui?… Sou eu… sou eu.. .sou eu…!!! Verdade que o coro só foi ouvido pela primeira vez aos 10 minutos do segundo tempo, já com 3 a 0 no placar, desconfiada que a galera rubro-negra estava – não por acaso, o borderô registrou menos de 10 mil pagantes. E ainda havia uns 50 itabunenses no local. Com bandeirão e tudo.

Normal. A conjuntura do quadrangular se mostrava desfavorável.

Quem dependia de si era o xará de Conquista, que ao mesmo tempo enfrentava o Bahia, supostamente sedento para “entregar o jogo” e impedir o bicampeonato do arqui-rival.

O gol de Pantico em Camaçari, porém, logo depois de Rodrigão abrir o placar dos 5 a 1, começou a dar alguma confiança de que o 24º caneco viria. E, ironia do destino, a turma leonina ia comemorando os tentos do nunca antes tão co-irmão como se fossem seu. Só parou em meados da etapa final, Itabuna pressionando e faixa escapulindo pelos dedos.

Em pelo menos dois momentos, a partir dali, a confirmação da festa esteve a ameaçada por único tento, seja em Salvador ou na região do Pólo Petroquímico.

Quando chute de Bida encontrou as redes, aos 37, parecia que finalmente os fogos de artifício poderiam ser soltados. Lego engano.

Aos 40, Charles ampliou para 5 a 0 no Armandão e prolongou o sofrimento até os 49.

Apito final tanto lá quanto cá, aí sim. Tome-lhe o desgastadíssimo provérbio: quem ri por último, ri melhor.

REAÇÃO – Como a campanha não foi das melhores, o que fez muitos rubro-negros alegarem que seria um título discutível, torcida, jogadores e até cartolas do Bahia passaram praticamente os cinco meses de campeonato tirando onda. Três derrotas para eles (das oito, no geral) causaram uma série de mini-crises na Toca.

A uma partida do início da fase decisiva, o técnico Vadão não resistiu às pressões.

Chamaram o outrora temido Barradão de “recreio dos tricolores”.

Para muitos, inclusive da imprensa, o troféu Lourival Dias Lima Filho chegou a ficar nas mãos do Esquadrão de Aço. Iniciada no clássico de Feira de Santana, domingo retrasado, a reação vermelha e preta se encerrou com uma chuva de desabafos da cúpula diretiva do Vitória (leia mais nas páginas 4 e 5). Agora, vai precisar desembolsar os R$ 200 Marquinhos matou a pau no jogo de ontem e foi decisivo para a conquista do título. E o atacante Rodrigão também justificou a fama de artilheiro FOTOS WELTON ARAÚJO | AG. A TARDE mil da premiação prometida ao elenco em caso de conquista. E daí que o rival terminou seis pontos à frente no cômputo total? BLITZ – A bela e empolgante atuação dos leões se inicou com tudo. Logo aos 50 segundos de jogo, o zagueiro Anderson Martins saiu driblando desde o meio-campo e quase marcou.

Idem para os lances de Fernando e Ramon, aos 3 e 5, dando mostras de que garra não faltaria.

Sem os titulares Marco Aurélio, Marco Antônio e Renan, todos suspensos, Vágner Mancini lançou Williams Santana, VanVanderson e Bida, que por pouco também não deixou o seu, no comecinho, de cabeça. A partir dos 32, as bolas passaram a entrar e a goleada tomou prumo.

A tão aguardada estréia na elite do Brasileiro já é sábado, em casa, diante do Cruzeiro.