Entrevistas


Vanderson

 

 

Texto e fotos: Felipe Esteves

 

Bahia Notícias – Vanderson, conta um pouco sobre sua trajetória no futebol, desde seu primeiro clube, o Castanhal-PA até o Vitória.

Vanderson – Foi difícil como todo inicio de carreira de um jogador de futebol. Comecei no Castanhal. Apesar do clube ter uma boa estrutura na época, era difícil lutar por um sonho com tanta dificuldade, mas conseguir superar e estou aqui hoje. Cada dia que passa agradeço a Deus por ter me dado o dom de jogar futebol e ter seguido bem na minha carreira. Como eu dizia, o começo foi difícil, quando ainda era adolescente, minha esposa teve um filho e pra mim foi mais difícil ainda ter que encarar essa responsabilidade. Conseguir progredir dentro do esporte. Passei pelo Paysandu, Juventude e me estabilizei aqui no Vitória. Sinto-me bem aqui e tenho orgulho de jogar por esse clube.

 

B.N – Onde e quando você considera o seu melhor momento na carreira?

 

Vanderson – Eu tive passagem por dois clubes que moram no meu coração, que é o Paysandu e o Vitória. No Paysandu participei de uma época boa, onde fui para a libertadores, logo após ter ganho a Copa do Campeões e também da série B do Brasileiro. Na série A fizemos uma boa campanha, então esse momento eu considero como um dos mais marcantes da minha vida, que foi um período de 2001 até 2004. Depois, de 2006 a 2009 pelo Vitória, onde conseguimos levar o time para séria A, fui campeão baiano algumas vezes e, agora, voltarei a disputar uma competição internacional; sem contar que o clube hoje tem grandes projetos para continuar crescendo. Sem dúvidas esses dois times me proporcionaram os melhores momentos da minha carreira.

 

B.N – Como foi o processo para sua chegada no Vitória em 2006?

 

Vanderson – Ah, foi difícil porque eu estava no Juventude, um time de primeira divisão, mas, mesmo assim, eu saí do clube, pedi para rescindir meu contrato, pois não estava concordando com a filosofia de trabalho que estava sendo empregada no clube. Nesse momento eu voltei para Belém, onde estavam acontecendo propostas do Remo, Paysandu e até de outros clubes. Foi nesse momento que eu tive contato com o Vitória. No começo eu fiquei receoso, até porque o Vitória estava na série C. Mas conversei com meu empresário e ele me mostrou que o clube era grande e iria subir. Graças a Deus eu optei por vir e hoje estou na série A, prestes a disputar uma Sul-Americana, o que me motiva bastante.

 

B.N – Você é um volante à moda antiga, que dá prioridade à marcação. O que você acha dessa safra nova de volantes que também saem para o jogo? Você tenta aprimorar seu jogo na parte ofensiva?

 

Vanderson – É, eu já venho me adaptando nesse esquema de “faz tudo” dentro do campo. O Mancini gostava de volantes que saiam para o jogo, então, naturalmente, eu comecei a desenvolver esse estilo. Na série A do ano passado tive a oportunidade de fazer gols, sofrer pênaltis, então, assim, conseguir evoluir meu modo de jogo. Também atuava com o Renan, que também tem o estilo de marcação forte, assim dava mais para sair jogando Mas tudo isso depende do treinador Se o técnico quiser que eu saia mais eu saio, mas se quiser que eu fique mais preso na zaga, fazendo a marcação, eu fico. Com o Mauro Fernandes é diferente, ele prioriza a marcação entre os volantes e que não passe muito do meio de campo. Então eu cumpro o que o treinador achar melhor para a equipe. Mas foi bom ter mudado meu estilo no campo, pois fez com que eu melhorasse minha qualidade nos passes.

 

B.N – O seu ciclo dentro do clube está prestes do fim ou você ainda pretende continuar dando alegrias para a torcida Rubro-negra?

 

Vanderson – Não, cada dia mais eu tenho que mostrar para o torcedor que eu estou em condições de vestir a camisa do time e estar sempre lutando para o melhor do Vitória. Tenho o apoio da diretoria, comissão técnica e, principalmente, da torcida. Eu realmente espero encerrar minha carreira no Vitória.

 

B.N – Você vai completar três anos no Vitória e isso é incomum no futebol moderno. Para você qual é o principal motivo de tanto tempo no clube?

 

Vanderson – O maior motivo é que eu me sinto bem dentro do clube. Um clube que entrei na série C e agora estou na série A dá motivação para você continuar, mesmo eu sabendo que o acesso iria acontecer. Então eu me sinto muito bem em trabalhar aqui. Fiz muitos amigos, fui bem acolhido na cidade, tenho a confiança do torcedor e da diretoria, então eu coloco tudo isso na balança para permanecer no Vitória. Ano passado eu tive uma boa proposta do Sport para deixar o Vitória, mas preferir não sair. Hoje o lado financeiro não pesa muito para as minhas escolhas, claro que o salário é um dos atrativos, mas eu peso bem as coisas e meu relacionamento dentro do clube é muito bom para eu sair por qualquer proposta.

 

 

B.N – Com o trabalho construído no dia a dia do clube você se tornou um dos maiores ídolos do Vitória. Como você encara toda essa responsabilidade?

 

Vanderson – Realmente é uma responsabilidade grande. O torcedor sempre quer ver o ídolo bem e eu tenho que corresponder às expectativas. Comigo não é diferente. Sempre que entro em campo eu demonstro a todos que quero vencer. Então eu acho que fiz por onde para conseguir o prestigio com a torcida. Cheguei na série C, o clube estava quase no fundo do poço, mas eu nunca deixei de acreditar no Vitória e é assim que eu sempre entrei em campo, acreditando sempre que podemos conseguir o melhor. Chegamos perto de disputar uma Libertadores, não conseguimos, mas isso não está distante, já que o clube tem nível e estrutura para isso. Assim, eu agradeço ao torcedor pelo apoio que vem me dando até hoje.

 

B.N – O grupo assimilou muito bem a mudança de técnico no Vitória. Quais as perdas e os ganhos com a saída de Mancini e a chegada de Mauro Fernandes?

 

Vanderson – Todo clube que quer ser vencedor e fazer uma temporada boa, não pode trocar muito de treinador. Com a troca vem outro trabalho, outra filosofia nas relações do dia a dia, esquema de jogo diferente, então eu acho que atrapalha um pouco. Mas a chegada do Mauro Fernandes foi tranqüila, alguns jogadores trabalharam com ele e sabem do seu caráter no trabalho que é desenvolvido. A perda do Mancini foi triste, acho que todos sentiram isso, até porque é um treinador que já estava conosco há mais de um ano, mas também ficamos felizes por ele ter ido para um clube de expressão como o Santos, todo jogador quer jogar no Santos. Mas o Mauro Fernandes foi uma boa escolha e os jogadores estão muito felizes, isso mostra o quanto ele é querido.

 

B.N – O grupo que está aí hoje, você considera unido?

 

Vanderson – Sim, todos têm uma boa relação. Uns são mais próximos, outros menos, mas isso é normal em todo grupo. O que importa é a solidariedade dentro do grupo e isso acontece no Vitória. Aqui todos se ajudam para todos saírem vitoriosos. Não tem o que reclamar do grupo que está aí hoje.

 

B.N – Qual foi o pior e o melhor time que você jogou nesses três anos de Vitória?

 

Vanderson – Não sei se posso classificar o melhor e o pior, cada um tem suas características especificas. O time da série C estava mais desconfiado, até porque teve momentos dentro da competição em que estávamos longe da classificação para a série B. Isso causou um pouco de agitação no grupo. Se não me engano, na época faltavam quatro ou cinco jogos e nós tínhamos que ganhar quatro, isso desmotivou um pouco a equipe, mas tudo acabou bem. Na série B, o grupo estava muito unido e fechado, viemos do acesso e o astral dentro do clube era diferente. Passaram, naquele ano, muitos treinadores como Givanildo, Vadão e Marco Aurélio, mas o grupo não sentiu tanto, justamente pela união que existia. Nosso objetivo de subir para série A já estava traçado e o time focou muito bem nisso. Já na série A houve algumas brigas e discussões na equipe. Excesso de vaidades, que tem que ser evitado em um grupo de futebol e por isso ficamos uns sete ou oito jogos sem vencer uma partida. Mas graças a Deus conseguimos uma vaga na Sul-Americana. Avaliando dessa forma, eu acho que eu o grupo mais fechado que eu trabalhei aqui foi na série B, onde suportamos todas as mudanças de trabalho sem sair da nossa meta de levar o Vitória à elite do futebol.

 

B.N – No ano de 2007, quando o clube disputava a série B, você começou a ficar marcado por tomar muitos cartões amarelos e vermelhos nos jogos. Desde 2008 até hoje, a quantidade de cartões diminuiu. A que se deve essa mudança?

 

Vanderson – Isso depende muito do treinador, da minha função dentro de campo. Com Givanildo, Marco Aurélio e com o Vadão, eu atuava muito na marcação corpo a corpo e, assim, muitas vezes eu cometia faltas necessárias no jogo, que me rendiam os cartões. Já com o Mancini, como eu já disse, eu não atuava tanto na marcação pesada, saindo mais para o jogo, até porque a função da marcação homem a homem eu dividia com o Renan. Nesse momento os cartões diminuíram e melhorou meu estilo de jogo.

 

B.N – As subidas de Apodi para o ataque também contribuíram para os cartões, já que você fazia a cobertura desse jogador?

 

Vanderson – O Apodi é muito veloz e ajudava muito a equipe nos contra-ataques, mas a volta dele era lenta e eu tinha que cobrir o buraco que ficava na zaga. Mas ele vem melhorando isso para não deixar a equipe desguarnecida e quando ele precisar fazer a correria dele eu vou continuar cobrindo a retaguarda.

 

 

B.N – Você tem alguma frustração de não ter jogado na Europa, já que todo jogador almeja isso na carreira?

 

Vanderson – É, eu fico um pouco triste, mas não lamento, não fico pensando nisso. Claro que eu queria ter tido essa oportunidade, mas é como eu disse, eu me sinto muito bem no Vitória, vou completar 30 anos e penso em continuar no clube. Aqui no Brasil eu já não vejo muito minha família, meus filhos, imagina em outro país?

 

B.N – Você já se considera um veterano do futebol e até quando você tem planos para continuar jogando em alto rendimento?

 

Vanderson – Apesar de ter começado com 17 anos, eu ainda não me sinto um veterano do futebol. Mesmo depois de já ter mais de 10 anos no futebol, eu acho que ainda tenho cinco ou seis anos para continuar jogando e espero estar aqui no Vitória até o final da minha carreira.

 

B.N – Quando chegar a hora de pendurar as chuteiras você tem alguma coisa em mente do que irá fazer?

 

Vanderson – Eu já pensei em ser treinador, mas para ser treinador hoje tem que ter mais suporte, você não trabalha sozinho. Tem que ter um bom auxiliar, preparador físico e outros suportes para ajudar. Mas não penso muito ainda na hora de parar. Deixa essas decisões para serem tomadas mais lá para frente.

 

B.N – O que você sentiu ao ser homenageado pelos 100 jogos com a camisa do Vitória?

 

Vanderson – Foi a primeira vez que passei por isso em um clube. Eu fiz mais de 100 jogos pelo Paysandu e não tive essa homenagem. Então aquilo se tornou muito marcante na minha carreira, algo que jamais irei esquecer. É como eu já falei, o Vitória é um clube que eu adoro e faço de tudo para sempre estar presente em todas as partidas. No dia que eu parar eu vou sentir muitas saudades daqui, mas eu ponho na minha cabeça que isso ainda está distante.

 

B.N – O time do Bahia de hoje vem despontando como favorito pela imprensa para ganhar o campeonato desse ano, ainda mais depois de ter vencido o clássico. O que você acha disso?

 

Vanderson – A imprensa e os torcedores tem todo o direito de pensarem o que quiser. Eu acho que o Bahia tem, se não me engano, oito anos sem ganhar um título estadual e é muito para um estado que tem apenas dois clubes que são considerados grandes. Então a imprensa quer de todo o jeito que o Bahia ganhe o campeonato, mas a coisas não são tão simples assim. É até bom, deixa o Vitória ir comendo pela beiradas. Deixa essa pressão para o Bahia, até porque se eles não ganharem esse campeonato é capaz do clube ter um baque muito grande. È bom a gente ir sem muito alarde e no final a gente vê quem levanta a taça.

 

B.N – Qual a mensagem que você pode deixar para o torcedor Rubro-negro que lê o Bahia Notícias?

 

Vanderson – Que o torcedor sempre acredite em nós jogadores. Perdendo ou ganhando as partidas o nosso objetivo é ganhar o campeonato. Nós ficamos muito tristes com a perda do clássico, mas o que vale é o resultado final. Para isso estamos trabalhando muito para dar essa alegria ao torcedor. É como eu disse, o torcedor pode acreditar e comparecer nos jogos porque nós vamos conquistar esse campeonato.