"Pedrinho é nascido em Pato Branco. Desde os 4 anos Pedrinho ouve a chamada dos comerciais da Globo bradar "Corinthians vai à Salvador em busca da vitória" ou "São Paulo encara mais um desafio neste campeonato, Goiás x São Paulo ao vivo".

Ele não percebe mas vê em torno de 60 jogos de clubes de São Paulo e Rio por ano, muito menos do que vê os clubes do seu estado, o Coritiba e o Atlético-PR, times que ele vê no máximo 5 vezes por ano quando enfrentam clubes paulistas ou cariocas.

Pedrinho não sabe mas quando os clubes paulistas visitam o Estádio Olímpico ou o Mineirão a rede Globo coloca microfones na torcida dos clubes paulistas o que dá a sensação de onipotência desses clubes.

Todos os dias Pedrinho rivaliza com seus amigos no colégio comentando sobre o jogão do Palmeiras contra o Galo mineiro, do jogaço envolvendo o Corinthians e o Internacional, do partidão entre São Paulo e Vitória porque os programas esportivos que passam na televisão só falam deles. Pedrinho vê 5 minutos de matéria sobre o Flamengo no Globo Esporte e 38 segundos de matéria sobre o Goiás e aprende que mesmo o Flamengo tendo apenas glórias do passado é um clube enorme e todos os que não são do eixo Rio-São Paulo são ínfimos e insignificantes.

Pedrinho viu em torno de 800 jogos envolvendo clubes paulistas e cariocas ao longo dos seus 17 anos, Pedrinho nunca foi a um estádio e não respeita os clubes que representam o seu estado, Pedrinho sequer tem uma camisa oficial do clube do seu coração e não sabe o que é realmente ser torcedor, Pedrinho faz o que a Rede Globo ensina.

Pedrinho é uma vítima da caixa preta chamada televisão, um ser sem identidade."

Infelizmente não posso dar os créditos ao autor deste texto, pois extrai de um local que não citava fonte. Mas foi com vários desses "Pedrinhos" que eu encontrei ontem, quando fui ao Barradão para assistir Vitória x Flamengo. Vou começar falando logo do jogo, e por sinal, que jogo. Como bem dito pelo blogueiro Fábio Monteiro, ontem tivemos um duelo entre os únicos meio campistas atuantes no futebol nacional que são de fato, meias. Me perdoem Conca, Diego Souza, Leandro Domingues, D’Alessandro e os muitos outros bons armadores do campeonato nacional, mas todos estão aquém do que eu chamo de craque, maestro, e muitos outros adjetivos que só cabem, mesmo com idade avançada, a Ramon e Petkovic. Esses dois, juntamente com Zé Roberto, Roger, Fábio Ferreira e alguns outros jogadores, fizeram o que há de melhor para ser assistido e apreciado, foi um excelente jogo com aquilo que todo torcedor mais gosta de ver: GOL. Cinco gols logo no primeiro tempo, o Flamengo veio jogar em busca da vitória, e o Vitória querendo mais do que isso, manter a sua seqüência de bons resultados dentro de casa, e mostrar quem é o Leão. Denis Marques abriu o placar para o flamengo, em uma bola que desviou na zaga e enganou o goleiro Gléguer. Logo em seguida Roger, ao receber um lançamento perfeito de um escanteio cobrado por Ramon, cabeceou para o fundo das redes empatando o jogo. Petkovic se aproveitou do mal posicionamento da barreira do vitória para colocar o Flamengo novamente na frente, e então, logo em seguida Ramon, com uma cobrança linda e perfeita (que eu pude ver de um ângulo privilegiado atrás do gol) empatou o jogo novamente, e minutos depois foi servido por Gláucio para colocar o Vitória pela primeira vez no jogo na frente do placar. Escrevi tudo seguidamente, pois pra mim que estava lá, a impressão era de que os gols saiam mesmo por minuto. Volto a recomendar a vocês que vão aos estádios acompanhar o time que vocês amam, é algo realmente fora de série. Veio o segundo tempo, e o Vitória, devido a algumas substituições mal feitas, abriu mão do ataque e tentou segurar o resultado, mas com uma boa jogada de Zé Roberto e Juan, o "Zidane Negro" segundo meu amigo Eduardo empatou o jogo. Resultado até justo pela luta que o Flamengo teve em campo, e pelo bom futebol apresentado pelas duas equipes. Mas também foi um resultado ruim para as duas equipes, que ainda querem lutar por uma vaga na taça Libertadores da América.
Meu comentário sobre o jogo foi breve, pois o que eu queria mesmo é falar de outra coisa: Torcida. É lamentável pra mim ver o quanto Roberto Marinho tem filhos aqui na Bahia, não só ele como todos os grandes nomes da mídia nacional. E muitos destes filhos compareceram ao estádio ontem, para receberem uma alcunha nada agradável de "tabaréis". O tabaréu é um adjetivo dado a pessoas com pouco grau de instrução e que são facilmente influenciáveis por qualquer veículo de comunicação. Como vocês podem perceber no texto que coloquei acima, é um adjetivo que se encaixa perfeitamente a estas pessoas, que nasceram aqui, mas torcem para o Flamengo ou qualquer time do eixo Rio – São Paulo. Vou colar aqui alguns comentários de cariocas sobre o jogo de ontem, que coletei em uma comunidade do orkut.

O PROBLEMA DE IR JOGAR NESSAS TERRAS SUBDESENVOLVIDAS (o NORDESTE inteiro) eh a roubalheira que come solto.

Bando de subdesenvolvidos, esfomeados. Eu vi no final, na BAND o gandula safado dizendo que rouba mesmo.

E ai, vai ficar por isso ? a CBF tem pena dessas federações do NORDESTE. Se fosse tratar da forma certa, os mortos de fome morreriam mesmo.

valeu MENGAO, levamos um pouco de CIVILIZACAO praqueles silvícolas PREGUICOSOS !!!!!!!!

AVANTE MENGAOOOOOOOOO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!"

E fora vários outros comentários que eu sempre vejo por ai, mas prefiro não citar. Tudo o que me vem a cabeça neste momento, é como é que eu posso torcer pra um time de lá, cujos representantes (a torcida representa mais um clube do que os jogadores, pois os jogadores se transferem de clube várias vezes, e torcedor acompanha o time pela vida inteira) falam isso da minha terra? É algo simplesmente inconcebível pra mim. Será que é uma mera questão de "bairrismo"? Ou seria de orgulho próprio? Eles pregam que cada um torce pelo time que quer, mas por que será que eu não vejo paulistas torcendo pelo treze da Paraíba? Ou brasileiros torcerem pela seleção de Burkina Faso? Muitos já devem estar pensando "ah, com seleção é diferente". E eu concordo, é muito diferente mesmo, pois antes de ser brasileiro, eu sou primeiramente santo amarense, e conseqüentemente baiano e orgulhosamente nordestino. Um clube não representa só os seus torcedores, representa também um local, representa uma massa de torcedores apaixonados, tanto que muitos comentaristas falam, até para o contragosto de alguns torcedores "Vitória da Bahia" (lembrando que o contragosto é meramente uma questão de rivalidade). Tomem como exemplo o estádio do Rio Grande do Sul, que não tem apelo da mídia como Rio de Janeiro e São Paulo, mas tem uma população consciente, que torce somente para os times de lá. O resultado disso todos já conhecem, o Internacional, para o delírio do meu amigo Cristiano é campeão de todos os campeonatos que podem ser vencidos, e o Grêmio da minha amiga Vanessa também tem muitos títulos nacionais e internacionais. Aí que vem a grande questão: Se a massa de flamenguistas que foram ontem ao estádio, fossem torcedores do Vitória ou Bahia, será que os mesmos não poderiam ter tanto sucesso nacional e internacional como Internacional e Grêmio? Fica ai pra vocês refletirem.
Já ia me esquecendo, divulguei o placar do jogo, e me esqueci do placar entre as torcidas. Apesar da grande quantidade de flamenguistas, a torcida do Vitória, é claro, compareceu em um número muito maior, com muitos mais ritmo e harmonia, com uma bateria "virada no setenta" e com dois puxadores maravilhosos, portanto o resultado não podia ser outro: Mil a zero. Tudo começou com um grande arrastão em volta do Barradão, antes de chegar ao local que é de praxe. Quando o jogo começou, só ouvimos gritos da torcida adversária nos momentos de gol, ou seja, apenas três vezes em todo o jogo. Enquanto a nossa torcida cantou, apoiou e vibrou o jogo inteiro. Que orgulho eu tenho de ser Vitória, que orgulho eu tenho de ser baiano. Só para constar, pretendo ir ainda este ano a pelo menos mais cinco jogos do Vitória. E os flamenguistas baianos vão ver o seu time do coração quando mesmo? Eu vou ver o meu time de perto ainda muitas vezes este ano. E vocês? Só lamento

 
Fonte: http://musicuppercut.blogspot.com/
Postado por Gabi às 18:11